No mês seguinte ela ainda estava fúnebre, sua vida parecia estar em um buraco negro e ela se afogava na própria alma com seus gritos abafados pelo travesseiro. O cansaço tomava conta e sempre a mesma pergunta vinha em mente, a de até quando iria aguentar. A dor que já havia se instalado em seu peito fazia com que tivesse vontade de interromper todo aquele movimento costumeiro.
Quando as coisas passadas vinham na sua cabeça, ficava se remoendo. Ela sentia algo indescritível e quando menos esperava estava no fundo daquele buraco negro e era tomada por um desespero absurdo. Em sua memória aquele que amava estava sempre de uma maneira idealizada e mesmo separada dele, ele parecia presente. Ela havia adquirido a mania de ficar reinventando os diálogos que já haviam acontecido, só para ter a segunda chance que tanto desejava e ver se as coisas iriam ser diferentes se ela tivesse usado outras palavras.
Dentro daquele buraco, ela relembrava os momentos, mas esses não reinventava, lembrava dos mais belos, aqueles que quando lembrados um sorriso bobo surgia em seus lábios, e isso fazia com que ela não se entregasse ao pânico que quase lhe tomava conta. Se lembrava do rosto calmo e sonolento deitado em seu colo no fim de tarde que haviam se encontrado com ele, na pracinha daquela cidadezinha, dos cigarros e das bebidas compartilhados, dos sorrisos e carícias trocadas. Quantas noites boas não haviam passado no sofá, naquela sala? As risadas, as cócegas, os cafunés e os beijos que diziam ''boa noite'' por si só. Lembrava até do sono, que a irritava, pois não permitia que aproveitassem mais o tempo juntos. Pensar em tudo isso fez com que ela quisesse sair dali, escalar aquele buraco até finalmente se livrar daquele lugar escuro que a amedrontava. Quis ir encontrá-lo. Correr até chegar em seus braços para um último abraço, mas o medo não permitia, assim como os arrependimentos, o que fazia com que seus desejos ficassem cada vez mais ativos, porém eram reprimidos.
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