sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Grito silencioso

    De repente afogada em lágrimas ela se via sem rumo, perdida no próprio mundo, aquele que costumava ser o seu porto-seguro, mas havia se tornado o pior pesado e lhe causava medo. O escuro que sempre a amedrontou nunca pareceu tão agradável. Sentada no canto do quarto, perfeitamente nos 90°, uma lágrima escorria e a angústia dentro de seu peito parecia triplicar, mas aquele canto estava confortável, fazia com que ela se sentisse segura. Em suas mãos uma caneta preta, uma folha de papel em branco e o celular para iluminar toda a escuridão, e o mesmo, por um segundo, pareceu só servir para isso, pois a possibilidade de ligar para alguém parecia fora de cogitação, já que apenas a ideia a deixava atordoada, mas, ao mesmo tempo, ela manteve a esperança viva de alguém ir socorre-la, sem que precisasse pedir.
    Olhando a parede em sua frente, ela respirou fundo e projetou na mesma cenas dos momentos bons já vividos, como os momentos passados com os amigos, as risadas até perder o fôlego, as viagens e, até mesmo, seus relacionamentos, o que fez com que mais uma lágrima escorresse, dessa vez em seu peito vinha a dor de nunca mais viver momentos como aqueles e isso a assustava demais.
    A vontade que tinha era de sumir, dar um tempo de tudo, talvez pegar um carro e ir na direção contrária daquela que era de costume, mas ir sem destino, esperando chegar a algum lugar onde pudesse ficar em paz, onde sua maior companhia seria o vento, que ela já imaginava, beijando sua pele e soprando seus cabelos. Ela caiu em si e ainda se encontrava naqueles mesmos 90° do quarto que continuava escuro, esperando um sinal de alguém que tivesse ouvido o seu grito, secreto, de socorro.

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